quinta-feira, 8 de junho de 2017
Arriverdeci
Última entrada, directamente do aeroporto.
Objectivos cumpridos:
- integração num serviço diferente: check
- Aperfeiçoamento dos skills laparoscópicos: check (embora não tenha conseguido bem bem inventar o modelo que queria)
- Observação de cirurgia laparoscópica: check minus (não fui que não vi, foi a menor prevalência que o previsto da mesma)
- Domínio básico do italiano: check plus (não só consigo seguir uma conversa e participar, como consegui reclamar com o sr da máquina de chocolates do hospital de forma clara o suficiente para ele me devolver o dinheiro que a máquina tinha comido)
- Conhecimento da cidade: check plus plus (próximo projecto educativo é a obtenção da licença de guia turística em Bolonha)
- Conhecimento da gastronomia local: check plus plus plus (que também é o tamanho actual das minhas calças)
- Degustação de todos os sabores da Funivia: check
- Corrida de 5 km: não check.
Foi um mês muito agradável, na minha “bolha”. Mas já é altura de voltar a ser um membro produtivo da sociedade. Para média infelicidade minha…
Só sobra tempo para um último gelato.
quarta-feira, 7 de junho de 2017
Cervello stanco
Três dias seguidos de labuta intelectual intensiva em 3 línguas diferentes. Cérebro saltando entre inglês, italiano e português. Cérebro se sentindo pequeno e preguiçoso na presença de mentes brilhantes, cada uma à sua maneira - o pensador out of the box, o analítico, o inventor e o experiente. Nem só de cirurgia vive o cirurgião.
Para além da parte científica, convívio social muito agradável, com direito a aperitivo com os italianos antes do jantar oficial na 2ª, e gelado com a italiana simpática na 3ª que terminou em convívio com os profs, que de tanto ouvirem falar na Cremeria Funivia também resolveram lá passar. Abriu caminho para um possível estudo prospectivo duplamente cego comparando a qualidade do gelato da Funivia e de outra gelataria que asseguram que está ao nível desta (duvido).
E hoje à tarde despedida da cidade após o encerramento da sessão.
Me myself and I demos uma volta pelo centro, entramos finalmente em lojas de roupa (mas não compramos nada) e depois fomos descansar para uma esplanada agradável, nas traseiras da Basilica de San Petronio, com um cappucino e o kindle, a fazer tempo para o jantar. Como que para me deixar com menos saudades, pela primeira vez a Osteria del'Orsa me desiludiu. A pasta não estava
grande coisa. Mas o tiramisú estava delicioso como sempre para compensar.
Caminho o mais indirecto possível para casa, me perdendo por ruas conhecidas, para evitar o inevitável fim do dia. E para ajudar na digestão.
Malas feitas com pouca vontade... E constatação infeliz de que moro num 3º andar sem elevador e amanhã não tenho companheiro de casa simpático para me ajudar com as malas ...
Para além da parte científica, convívio social muito agradável, com direito a aperitivo com os italianos antes do jantar oficial na 2ª, e gelado com a italiana simpática na 3ª que terminou em convívio com os profs, que de tanto ouvirem falar na Cremeria Funivia também resolveram lá passar. Abriu caminho para um possível estudo prospectivo duplamente cego comparando a qualidade do gelato da Funivia e de outra gelataria que asseguram que está ao nível desta (duvido).
E hoje à tarde despedida da cidade após o encerramento da sessão.
Me myself and I demos uma volta pelo centro, entramos finalmente em lojas de roupa (mas não compramos nada) e depois fomos descansar para uma esplanada agradável, nas traseiras da Basilica de San Petronio, com um cappucino e o kindle, a fazer tempo para o jantar. Como que para me deixar com menos saudades, pela primeira vez a Osteria del'Orsa me desiludiu. A pasta não estava
grande coisa. Mas o tiramisú estava delicioso como sempre para compensar.
Caminho o mais indirecto possível para casa, me perdendo por ruas conhecidas, para evitar o inevitável fim do dia. E para ajudar na digestão.
Malas feitas com pouca vontade... E constatação infeliz de que moro num 3º andar sem elevador e amanhã não tenho companheiro de casa simpático para me ajudar com as malas ...
domingo, 4 de junho de 2017
Andando in vespa
Último fim de semana de "trintasmus". Manhã preguiçosa, com direito a um binge de netflix. Único horário em vista a visita guiada às 14:30. Tortelinni in brodo caseiro para o almoço, e às 13 estava na rua. Graças aos pórticos a cidade é transitável mesmo no pico do calor.
Depois de passar várias vezes à frente da porta do Museo Internazionale e biblioteca della Musica, finalmente os anjos se conjugaram para que pudesse visitar o museu. De graça, porque sou estudante. Mas que acabou por gastar 4euros no audioguia porque estou a ficar severamente viciada em visitas guiadas, sob qualquer forma. O acervo do museu é interessante, tem muitos instrumentos
antigos, mas está mais virado para a história da música (compositores, etc) do que propriamente para os instrumentos. Mas o que faz a visita valer a pena é o edifício. Um palazzo antigo, totalmente decorado com frescos de 1700-1800, perfeitamente restaurados. Cada vez mais penso que nesta cidade alguns dos museus valem mais pelo edifício do que pelo conteúdo...
Segui depois calmamente para a Piazza Maggiore, onde ia começar a Tour dei Torri. A guia era extremamente enstusiástica, alternando rapidamente entre o italiano e o inglês, às vezes de forma tão rápida que nem um nem outros compreendia. Mais uma vez fiquei feliz por me ter dedicado um pouco ao italiano, porque a versão italiana tinha o dobro da informação... Passei por várias torres que nunca tinha reparado, finalmente percebi como entravam nas portas que estacam à altura de 2 andares (as torres antigamente tinham uma escadaria de madeira à frente), descobri que a "piazza" onde já jantei 2 vezes é na verdade uma "cuorte" (espécie de compound de uma família rica). Estranhamente as duas torres mais famosas, Garisenda e Asinelli mal foram mencionadas. E finalmente
chegamos à Torre Prendiparte, aquela que íamos subir. Uma torre engraçada, que foi em tempos uma torre de vigia, escola e depois prisão eclesiástica e agora um bed and breakfast que organiza eventos no topo. No momento em que começamos a subida me dei conta que usar uma saia de verão foi uma boa idéia para o resto do passeio, mas não para subir escadas super inclinada num grupo que incluía 4 pré-adolescentes alemães.Não só pelo espetáculo como pelo facto de estar sempre em risco de pisar a saia a subir. Portanto segui o exemplo da jovem à minha frente e dei um nó na saia que resultou numa coisa tipo fralda. Mais prático e menos risco de ser acusada de abuso de menores. A subida foi tranquila, porque teve direito a pausas nos vários andares - a cozinha, a sala de estar, a prisão (com direito a grafitti na parede)... A vista do topo dos 67m foi recompensa suficiente. Visão de 360º a partir do centro da cidade. Ainda assim, gostei mais da torre de astronomia, de ver a cidade não de dentro mas da periferia. E custou menos a subir.
Depois de um pequeno passeio para respirar ar fresco (a torre era um pouco abafada), continuei o meu plano de conhecer todos os museus de Bolonha, nomeadamente o Museu Cívico Arqueológico, vizinho do Archiginnasio. Confesso que mais do que o espólio do museu me movia a curiosidade de conhecer o interior da Chiesa de Santa Maria della Morte, onde o museu se encontra. Pequena desilusão, porque realmente não há grandes vestigios da igreja, mas o museu tem o seu quê de graça. Uma perspectiva de Bolonha desde a pré-história até à epoca romana, passando por uma colecção enorme etrusca (forma encontradas não sei quantas necrópoles na cidade e arredores). Como não podia deixar de ser, tinha de ter a contribuição da colecção de Pelagio Palagi. A colecção egípcia, a 2ª maior da Itália, deve 75% do seu acerco ao cabinet de curiosité do pintor...
Para terminar o dia em grande, e perseguindo um dos meus objectivos bolonheses, fui até à Cremeria Funivia. Onde finalmente acabei de provar todos os sabores, incluindo pêssego e kiwi. Agora posso começar a repetir os favoritos. Pelo caminho, prestei atenção a uma estátua que já tinha visto dezenas de vezes mas que nunca tinha realmente reparado. Confirmando o que tinha lido no guia, a estátua retrata Galvani fazendo maldades a uma rã. Nice.
Domingo mais um dia, mais uma visita guiada. Desta vez mais cedo, de manhã, e em italiano. Os 7 segredos de Bolonha. Confesso que ia com as expectativas um pouco em baixo, tendo em conta que é a 3ª visita guiada que fazia, mas outra vez, fui surpreendida. O que começa a ser um pouco recorrente... Descobri pormenores deliciosos em locais onde já tinha estado dezenas de vezes. Como por exemplo que na parede do Palazzo Comunale está uma pedra com as medidas de comprimento oficiais da cidade, onde só hoje já tinha passado em frente quatro vezes à procura da guia e não tinha reparado. Ou que a Igreja de São Petrónio foi construída da frente para trás, e que enquanto juntavam dinheiro para o projecto de ampliação a parede posterior era constituída por um tapume gigante de madeira com frescos pintados. Pelo meio ainda encontramos
uma procissão equatoriana gigantes, a levar uma estátua da Virgem de de Santa Maria della Vita para a Catedral de São Pedro. Posso ter perdido a procissão da Virgem de San Lucca, mas ao menos vi uma. Dos 7 segredos, só conhecia um deles.
Cansada da andança e com alguma fome, fui até à Via Altabella ver se a Enoteca Storica onde tinha estado no outro dia e que parecia ter um menu de almoço baratinho estava aberta. Infelizmente não, mas a rua tinha muitas outras opções. Escolhi mais pela esplanada do que pelo aspecto da comida. O que foi mal jogado, porque ao fim de 15 minutos começou a chover torrencialmente, quase afogando o meu tagliatelle al ragú... Chuva tropical, que caiu forte e rápido, e me obrigou a procurar abrigo no interior do restaurante. Mas quando terminei a refeição nem sequer cheiro a terra molhada havia, graças ao calor da tarde.
Mais uma volta, mais um museu. Palazzo Fava. Só abre para exposições temporárias. E estudante universitário não entra de graça. Tem um descontinho, como em todos locais geridos pelo Genus Bononiae. Que também, ao contrário da maioria dos museus locais, não tem entrada gratuita no 1º domingo de cada mês. Humpf. Os 5 euros valeram pelo edifício, que era o que eu realmente queria conhecer, com os frescos famosos dos Carracci. Porque a mostra de pintura italiana do século XX não me despertou grande interesse...
Para terminar a peregrinação museológica fui à Pinacoteca Nazionale, onde entrei de graça porque era domingo. O edifício não é particularmente interessante, mas os quadros são. Outra vez, e como em quase todos os museus da cidade, se foca em artistas locais ou que pintaram por estes lados, desde a época medieval até ao séciulo XVIII. Algumas obras de superstars (Ghiotto, Raphael, Ticiano). Na esmagadora maioria obras oriundas dos conventos e igrejas da zona. Sou agora uma expert em reconhecer São Petrónio
em pinturas: é o senhor barbudo com a maquete da cidade na mão (com a torre Garisenda inclinada, provando que o problema veio de origem e não com o tempo). A organização é inteligente, permitindo acompanhar a evolução das técnicas ao longo do tempo. E chegar à determinadas conclusões. Arte medieval: everybody looks angry. Arte renascentista: everybody looks bored. Arte setecentista: everybody is moving or going somewhere. Próximo master: história da arte.
Embora ainda me faltem alguns museus (não muitos!), na realidade só quero visitar mais um. Se não tiver tempo esta semana, fica para a próxima visita em Outubro.
Apesar desta actividade cultura toda ainda eram só 17H, pelo que aproveitei para me sentar numa esplanada silenciosa da Via Zamboni e dar uso ao Kindle de substituição emprestado pelo progenitor.
Fui para casa relativamente cedo, para me prepara para o jantar com o Prof Chefe, esposa, e elementos da faculty do master. Às 19:45 em ponto estava no Ospedale, pronta para a boleia que tinha sido oferecida pelo senior que estava de banco até às 20. Qual não foi a minha surpresa quando ele me ofereceu um capacete. Fui de vespa para o jantar Experiência italiana oficialmente completa.
Depois de passar várias vezes à frente da porta do Museo Internazionale e biblioteca della Musica, finalmente os anjos se conjugaram para que pudesse visitar o museu. De graça, porque sou estudante. Mas que acabou por gastar 4euros no audioguia porque estou a ficar severamente viciada em visitas guiadas, sob qualquer forma. O acervo do museu é interessante, tem muitos instrumentos
antigos, mas está mais virado para a história da música (compositores, etc) do que propriamente para os instrumentos. Mas o que faz a visita valer a pena é o edifício. Um palazzo antigo, totalmente decorado com frescos de 1700-1800, perfeitamente restaurados. Cada vez mais penso que nesta cidade alguns dos museus valem mais pelo edifício do que pelo conteúdo...
Segui depois calmamente para a Piazza Maggiore, onde ia começar a Tour dei Torri. A guia era extremamente enstusiástica, alternando rapidamente entre o italiano e o inglês, às vezes de forma tão rápida que nem um nem outros compreendia. Mais uma vez fiquei feliz por me ter dedicado um pouco ao italiano, porque a versão italiana tinha o dobro da informação... Passei por várias torres que nunca tinha reparado, finalmente percebi como entravam nas portas que estacam à altura de 2 andares (as torres antigamente tinham uma escadaria de madeira à frente), descobri que a "piazza" onde já jantei 2 vezes é na verdade uma "cuorte" (espécie de compound de uma família rica). Estranhamente as duas torres mais famosas, Garisenda e Asinelli mal foram mencionadas. E finalmente
chegamos à Torre Prendiparte, aquela que íamos subir. Uma torre engraçada, que foi em tempos uma torre de vigia, escola e depois prisão eclesiástica e agora um bed and breakfast que organiza eventos no topo. No momento em que começamos a subida me dei conta que usar uma saia de verão foi uma boa idéia para o resto do passeio, mas não para subir escadas super inclinada num grupo que incluía 4 pré-adolescentes alemães.Não só pelo espetáculo como pelo facto de estar sempre em risco de pisar a saia a subir. Portanto segui o exemplo da jovem à minha frente e dei um nó na saia que resultou numa coisa tipo fralda. Mais prático e menos risco de ser acusada de abuso de menores. A subida foi tranquila, porque teve direito a pausas nos vários andares - a cozinha, a sala de estar, a prisão (com direito a grafitti na parede)... A vista do topo dos 67m foi recompensa suficiente. Visão de 360º a partir do centro da cidade. Ainda assim, gostei mais da torre de astronomia, de ver a cidade não de dentro mas da periferia. E custou menos a subir.
Depois de um pequeno passeio para respirar ar fresco (a torre era um pouco abafada), continuei o meu plano de conhecer todos os museus de Bolonha, nomeadamente o Museu Cívico Arqueológico, vizinho do Archiginnasio. Confesso que mais do que o espólio do museu me movia a curiosidade de conhecer o interior da Chiesa de Santa Maria della Morte, onde o museu se encontra. Pequena desilusão, porque realmente não há grandes vestigios da igreja, mas o museu tem o seu quê de graça. Uma perspectiva de Bolonha desde a pré-história até à epoca romana, passando por uma colecção enorme etrusca (forma encontradas não sei quantas necrópoles na cidade e arredores). Como não podia deixar de ser, tinha de ter a contribuição da colecção de Pelagio Palagi. A colecção egípcia, a 2ª maior da Itália, deve 75% do seu acerco ao cabinet de curiosité do pintor...
Para terminar o dia em grande, e perseguindo um dos meus objectivos bolonheses, fui até à Cremeria Funivia. Onde finalmente acabei de provar todos os sabores, incluindo pêssego e kiwi. Agora posso começar a repetir os favoritos. Pelo caminho, prestei atenção a uma estátua que já tinha visto dezenas de vezes mas que nunca tinha realmente reparado. Confirmando o que tinha lido no guia, a estátua retrata Galvani fazendo maldades a uma rã. Nice.
Domingo mais um dia, mais uma visita guiada. Desta vez mais cedo, de manhã, e em italiano. Os 7 segredos de Bolonha. Confesso que ia com as expectativas um pouco em baixo, tendo em conta que é a 3ª visita guiada que fazia, mas outra vez, fui surpreendida. O que começa a ser um pouco recorrente... Descobri pormenores deliciosos em locais onde já tinha estado dezenas de vezes. Como por exemplo que na parede do Palazzo Comunale está uma pedra com as medidas de comprimento oficiais da cidade, onde só hoje já tinha passado em frente quatro vezes à procura da guia e não tinha reparado. Ou que a Igreja de São Petrónio foi construída da frente para trás, e que enquanto juntavam dinheiro para o projecto de ampliação a parede posterior era constituída por um tapume gigante de madeira com frescos pintados. Pelo meio ainda encontramos
uma procissão equatoriana gigantes, a levar uma estátua da Virgem de de Santa Maria della Vita para a Catedral de São Pedro. Posso ter perdido a procissão da Virgem de San Lucca, mas ao menos vi uma. Dos 7 segredos, só conhecia um deles.
Cansada da andança e com alguma fome, fui até à Via Altabella ver se a Enoteca Storica onde tinha estado no outro dia e que parecia ter um menu de almoço baratinho estava aberta. Infelizmente não, mas a rua tinha muitas outras opções. Escolhi mais pela esplanada do que pelo aspecto da comida. O que foi mal jogado, porque ao fim de 15 minutos começou a chover torrencialmente, quase afogando o meu tagliatelle al ragú... Chuva tropical, que caiu forte e rápido, e me obrigou a procurar abrigo no interior do restaurante. Mas quando terminei a refeição nem sequer cheiro a terra molhada havia, graças ao calor da tarde.
Mais uma volta, mais um museu. Palazzo Fava. Só abre para exposições temporárias. E estudante universitário não entra de graça. Tem um descontinho, como em todos locais geridos pelo Genus Bononiae. Que também, ao contrário da maioria dos museus locais, não tem entrada gratuita no 1º domingo de cada mês. Humpf. Os 5 euros valeram pelo edifício, que era o que eu realmente queria conhecer, com os frescos famosos dos Carracci. Porque a mostra de pintura italiana do século XX não me despertou grande interesse...
Para terminar a peregrinação museológica fui à Pinacoteca Nazionale, onde entrei de graça porque era domingo. O edifício não é particularmente interessante, mas os quadros são. Outra vez, e como em quase todos os museus da cidade, se foca em artistas locais ou que pintaram por estes lados, desde a época medieval até ao séciulo XVIII. Algumas obras de superstars (Ghiotto, Raphael, Ticiano). Na esmagadora maioria obras oriundas dos conventos e igrejas da zona. Sou agora uma expert em reconhecer São Petrónio
em pinturas: é o senhor barbudo com a maquete da cidade na mão (com a torre Garisenda inclinada, provando que o problema veio de origem e não com o tempo). A organização é inteligente, permitindo acompanhar a evolução das técnicas ao longo do tempo. E chegar à determinadas conclusões. Arte medieval: everybody looks angry. Arte renascentista: everybody looks bored. Arte setecentista: everybody is moving or going somewhere. Próximo master: história da arte.
Embora ainda me faltem alguns museus (não muitos!), na realidade só quero visitar mais um. Se não tiver tempo esta semana, fica para a próxima visita em Outubro.
Apesar desta actividade cultura toda ainda eram só 17H, pelo que aproveitei para me sentar numa esplanada silenciosa da Via Zamboni e dar uso ao Kindle de substituição emprestado pelo progenitor.
Fui para casa relativamente cedo, para me prepara para o jantar com o Prof Chefe, esposa, e elementos da faculty do master. Às 19:45 em ponto estava no Ospedale, pronta para a boleia que tinha sido oferecida pelo senior que estava de banco até às 20. Qual não foi a minha surpresa quando ele me ofereceu um capacete. Fui de vespa para o jantar Experiência italiana oficialmente completa.
sábado, 3 de junho de 2017
Le viaggiatore egoista
Acordei sem grande vontade de sair da cama. Cansaço, saudades de casa, sensação de que já vi tudo o que queria ver, resultaram numa mini maratona de cinema debaixo das cobertas. Mas a meio da manhã resolvi espreitar na net se os museus da Universidade, que ando a tentar visitar desde que cheguei mas que tem um horário para lá de limitado (tipo das 10 às 14) estariam abertos no feriado. E, incrivelmente, alguns não só estavam abertos como tinham visitas guiadas. Com nova motivação, lá me arrastei para fora da cama.
Decidi que a primeira paragem seria o Museo della Specola, no Palazzo Poggi. Não só já tinha passado mesmo à porta por duas vezes (fica ao lado do Museo do Palazzo Poggi, no mesmo edifício), como era o único com visita guiada em inglês. No caminho comecei a ter uma sensação estranha, não imediatamente identificada, de que algo estava diferente. Já quase na rua do museu descobri o que se passava: a cidade estava vazia. Nos 20 minutos de percurso vi duas pessoas e 3 carros. Silêncio quase total. É a sensação que associo à saída de banco na manhã dos grandes feriados, quando no caminho para casa não se vê ninguém na rua, nem sequer há barulho de carros. Uma calma fora de lugar. E que eu adoro. Não é que eu não goste de pessoas, mas adoro ir ao cinema quando está vazio, à praia quando não está lá ninguém, egoisticamente ter os lugares só para mim. A ausência de pessoas associada ao dia bonito mas não muito quente foram a minha recompensa por ter lutado contra a inércia.
Uma vez no museu, mais um pequeno presente. Uma visita guiada só para mim. E de graça, porque eu sou estudante da UniBo. A guia falava impecavelmente Her Majesty's English, e fez uma visita interessantíssima. O museu fica na torre de observação astronómica do Palazzo, e tem desde telescópios antigos às primeiras calculadoras de bolso, passando por mapas celestes com inscrições em chinês feitos por jesuítas no século XVI. A guia não era astrónoma, mas sim um doutoranda em história da Ciência, e quando se apercebeu que eu tinha algum background no assunto e
interesse acabou por alongar a visita quase meia hora (a visita em italiano com o doutrando em astrofísica acabou muito antes da nossa). E no final, o melhor de tudo: a vista de Bolonha do alto da torre. Na saída ainda passei pelo terceiro museu do Palazzo, o Museu Europeu dos Estudantes, sem a menor graça comparado com os outros.
Resolvi dalí aproveitar o silêncio enquanto durava, e passeie pela zona da universidade sem rumo e sem fones. De forma casual ao museu triplo: Zoologia, Anatomia Comparada e Antropologia. Ao contrário dos museus do Palazzo Poggi, com o seu ar profissional e pessoal treinado, neste encontrei duas estudantes à porta, claramente a tentar ganhar uns trocos ou uns créditos, que simpaticamente mas sem grande interesse apontaram na direcção da exposição. No 1º e 2º andar, o Museo de Zoologia. Um museo à antiga, com animais empalhados em vitrines e frascos. Claramente já conheceu melhores dias e sofre certamente de falta de atenção, mas ainda mantém um pouco o seu charme old school. E tem 2
peixes luas maiores do que eu expostos, portanto valeu a pena. Como na rua e no outro museu, era a única pessoa. Mais um museu só para mim!
Continuei a minha missão muesológica até ao 3º andar, para o Museu de Anatomia Comparada. Outra vez, uma colecção velha, com ar pouco cuidado, poucas explicações, e 3 estudantes que nem sequer eram simpáticos a tomar conta do pedaço. Entrei com pouca expectativa, mas fui arrebatada logo na primeira vitrine. Preparações com 100 anos dos diferentes tractos
digestivos, com intestinos que iam do rato ao camelo, seguidas de mais duas vitrines com aparelhos urinários e reprodutores. Sem grandes identificações, mas eu só precisava de descobrir o animal, porque afinal por dentro é tudo semelhante. Daí em diante eram só ossos, vistos em passo de corrida.
Quarto andar, museu de Antropologia. Ainda menos cuidado que os outros dois. A qualidade por aqui descresce com a altitude. Nem sequer vi os estudantes, ouvio-os só na conversa numa sala ao fundo do museu. Exposição fraquinha, cujo único ponto de interesse era uma sala repleta de vitrinas de
madeira e vidro com máscaras em gesso de indíviduos de várias tribos africanas, que deve ser bastante assustadora à noite.
Saí novamente para a luz do dia, decidida a ir até ao centro, sem grande objectivo. E sem querer passei pelo Museo Geologico da Unibo. E pensei, porque não? Mais uma vez recebida pela juventude estudantil, mais motivada para a conversa do que para o trabalho. E novamente sozinha. Sem grande interesse, com o meu podcast por companhia, fui passando de uma sala para a outra, repletas de (novamente) vitrines old school repletas de calhaus sem grande informação para além de quem tinha doado e de onde
vinham. E bum, entro na sala dos fósseis, onde sou recebida por um esqueleto de dinossauro que não ficaria mal no saguão do Natural History Museum de Londres. Várias salas sucessivas com fósseis de animais, peixes, plantas. Nada como não ter expectativas para ser surpreendida.
Depois de tanta cultura, era hora do almoço. Andando em direcção ao centro as pessoas começaram a aparecer, mas não os carros - o centro é totalmente pedestre durante o fim de semana. Fui ziguezagueando, procurando a melhor combinação de esplanada, sombra e barulho. Acabei por me sentar num restaurante com ar simpático, e escolher uma bisteca
para o almoço. E aperceber-me que tirando o recheio dos tortelinnis não como carne há um mês. O prato que veio parecia ter sido cozinhado a partir de um dos animais do museu geológico: a bisteca saia para fora de tão grande. Nem deixou espaço para sobremesa...
Resolvi alterar um pouco o meu trajecto habitual, virar uma rua antes, e sem querer descobri toda uma Bolonha que me faltava. É o que dá, achar que já sei alguma coisa. O verdadeiro ghetto judaico, cuja periferia eu conhecia mas não o centro. Toda a zona entre as duas ruas novas, via dell'Independenza e via Marconi, que eu
sempre achei que não tinha grande coisa para descobrir. E lá me perdi de novo, no meio das arcadas, entrando em igrejas que não conhecia e espreitando pelas portas entreabertas. Encontrei várias torres que não conhecia, e um poster anunciando uma visita guiada amanhã (already booked)
Encontrei sem procurar o Museo Cívico Mediavale, no Palazzo Guisilardi. Outra vez sem grandes expectativas para o espólio, mas querendo conhecer o interior do palácio, aproveitei o meu cartão da UniBo (ser estudante é tão bom!) e entrei de borla. E novamente me surpreendi com o conteúdo. Tenho mesmo de repensar a minha atitude em relação a muita coisa... O acervo do museu começou como o Wunderkammer de dois artistas do século XVIII, portanto tem desde estampas de santos feitas com penas de aves tropicais do México a sapatos de cortesã de Veneza em 1500. Depois das primeiras salas fica mais museu, com muitos túmulos e armaduras. O interior do edifício não é muito impressionante (tendo em conta o que já vi por estes lados), mas é labiríntico devido às sucessivas construções desde o século XII, o que torna a visita divertida, subindo e descendo escadas.
Cansada de tanta andança e tanta cultura, fui fazer o que os
italianos fazem e me sentar numa esplanada para o aperitivo. Fiquei a aproveitar o meu mojito até o gelo derreter (finalmente aprendi a pedir a bebida certa), e quando o sol se começou a pôr achei que era a minha deixa para ir para casa, planear um novo ataque museológico para amanhã.
Decidi que a primeira paragem seria o Museo della Specola, no Palazzo Poggi. Não só já tinha passado mesmo à porta por duas vezes (fica ao lado do Museo do Palazzo Poggi, no mesmo edifício), como era o único com visita guiada em inglês. No caminho comecei a ter uma sensação estranha, não imediatamente identificada, de que algo estava diferente. Já quase na rua do museu descobri o que se passava: a cidade estava vazia. Nos 20 minutos de percurso vi duas pessoas e 3 carros. Silêncio quase total. É a sensação que associo à saída de banco na manhã dos grandes feriados, quando no caminho para casa não se vê ninguém na rua, nem sequer há barulho de carros. Uma calma fora de lugar. E que eu adoro. Não é que eu não goste de pessoas, mas adoro ir ao cinema quando está vazio, à praia quando não está lá ninguém, egoisticamente ter os lugares só para mim. A ausência de pessoas associada ao dia bonito mas não muito quente foram a minha recompensa por ter lutado contra a inércia.
Uma vez no museu, mais um pequeno presente. Uma visita guiada só para mim. E de graça, porque eu sou estudante da UniBo. A guia falava impecavelmente Her Majesty's English, e fez uma visita interessantíssima. O museu fica na torre de observação astronómica do Palazzo, e tem desde telescópios antigos às primeiras calculadoras de bolso, passando por mapas celestes com inscrições em chinês feitos por jesuítas no século XVI. A guia não era astrónoma, mas sim um doutoranda em história da Ciência, e quando se apercebeu que eu tinha algum background no assunto e
interesse acabou por alongar a visita quase meia hora (a visita em italiano com o doutrando em astrofísica acabou muito antes da nossa). E no final, o melhor de tudo: a vista de Bolonha do alto da torre. Na saída ainda passei pelo terceiro museu do Palazzo, o Museu Europeu dos Estudantes, sem a menor graça comparado com os outros.
Resolvi dalí aproveitar o silêncio enquanto durava, e passeie pela zona da universidade sem rumo e sem fones. De forma casual ao museu triplo: Zoologia, Anatomia Comparada e Antropologia. Ao contrário dos museus do Palazzo Poggi, com o seu ar profissional e pessoal treinado, neste encontrei duas estudantes à porta, claramente a tentar ganhar uns trocos ou uns créditos, que simpaticamente mas sem grande interesse apontaram na direcção da exposição. No 1º e 2º andar, o Museo de Zoologia. Um museo à antiga, com animais empalhados em vitrines e frascos. Claramente já conheceu melhores dias e sofre certamente de falta de atenção, mas ainda mantém um pouco o seu charme old school. E tem 2
peixes luas maiores do que eu expostos, portanto valeu a pena. Como na rua e no outro museu, era a única pessoa. Mais um museu só para mim!
Continuei a minha missão muesológica até ao 3º andar, para o Museu de Anatomia Comparada. Outra vez, uma colecção velha, com ar pouco cuidado, poucas explicações, e 3 estudantes que nem sequer eram simpáticos a tomar conta do pedaço. Entrei com pouca expectativa, mas fui arrebatada logo na primeira vitrine. Preparações com 100 anos dos diferentes tractos
digestivos, com intestinos que iam do rato ao camelo, seguidas de mais duas vitrines com aparelhos urinários e reprodutores. Sem grandes identificações, mas eu só precisava de descobrir o animal, porque afinal por dentro é tudo semelhante. Daí em diante eram só ossos, vistos em passo de corrida.
Quarto andar, museu de Antropologia. Ainda menos cuidado que os outros dois. A qualidade por aqui descresce com a altitude. Nem sequer vi os estudantes, ouvio-os só na conversa numa sala ao fundo do museu. Exposição fraquinha, cujo único ponto de interesse era uma sala repleta de vitrinas de
madeira e vidro com máscaras em gesso de indíviduos de várias tribos africanas, que deve ser bastante assustadora à noite.
Saí novamente para a luz do dia, decidida a ir até ao centro, sem grande objectivo. E sem querer passei pelo Museo Geologico da Unibo. E pensei, porque não? Mais uma vez recebida pela juventude estudantil, mais motivada para a conversa do que para o trabalho. E novamente sozinha. Sem grande interesse, com o meu podcast por companhia, fui passando de uma sala para a outra, repletas de (novamente) vitrines old school repletas de calhaus sem grande informação para além de quem tinha doado e de onde
vinham. E bum, entro na sala dos fósseis, onde sou recebida por um esqueleto de dinossauro que não ficaria mal no saguão do Natural History Museum de Londres. Várias salas sucessivas com fósseis de animais, peixes, plantas. Nada como não ter expectativas para ser surpreendida.
Depois de tanta cultura, era hora do almoço. Andando em direcção ao centro as pessoas começaram a aparecer, mas não os carros - o centro é totalmente pedestre durante o fim de semana. Fui ziguezagueando, procurando a melhor combinação de esplanada, sombra e barulho. Acabei por me sentar num restaurante com ar simpático, e escolher uma bisteca
para o almoço. E aperceber-me que tirando o recheio dos tortelinnis não como carne há um mês. O prato que veio parecia ter sido cozinhado a partir de um dos animais do museu geológico: a bisteca saia para fora de tão grande. Nem deixou espaço para sobremesa...
Resolvi alterar um pouco o meu trajecto habitual, virar uma rua antes, e sem querer descobri toda uma Bolonha que me faltava. É o que dá, achar que já sei alguma coisa. O verdadeiro ghetto judaico, cuja periferia eu conhecia mas não o centro. Toda a zona entre as duas ruas novas, via dell'Independenza e via Marconi, que eu
sempre achei que não tinha grande coisa para descobrir. E lá me perdi de novo, no meio das arcadas, entrando em igrejas que não conhecia e espreitando pelas portas entreabertas. Encontrei várias torres que não conhecia, e um poster anunciando uma visita guiada amanhã (already booked)
Encontrei sem procurar o Museo Cívico Mediavale, no Palazzo Guisilardi. Outra vez sem grandes expectativas para o espólio, mas querendo conhecer o interior do palácio, aproveitei o meu cartão da UniBo (ser estudante é tão bom!) e entrei de borla. E novamente me surpreendi com o conteúdo. Tenho mesmo de repensar a minha atitude em relação a muita coisa... O acervo do museu começou como o Wunderkammer de dois artistas do século XVIII, portanto tem desde estampas de santos feitas com penas de aves tropicais do México a sapatos de cortesã de Veneza em 1500. Depois das primeiras salas fica mais museu, com muitos túmulos e armaduras. O interior do edifício não é muito impressionante (tendo em conta o que já vi por estes lados), mas é labiríntico devido às sucessivas construções desde o século XII, o que torna a visita divertida, subindo e descendo escadas.
Cansada de tanta andança e tanta cultura, fui fazer o que os
italianos fazem e me sentar numa esplanada para o aperitivo. Fiquei a aproveitar o meu mojito até o gelo derreter (finalmente aprendi a pedir a bebida certa), e quando o sol se começou a pôr achei que era a minha deixa para ir para casa, planear um novo ataque museológico para amanhã.
quinta-feira, 1 de junho de 2017
L'ultimo giorno di lavoro
Último dia de "estágio". Ao fim de quase um mês já sou expert no jogo da cedência de passagem. Durante "il giro" passamos por 11 portas, e há uma mudança constante de lugar na fila. Primeiro o Prof Chefe, que ao longo do trajecto cede 2 vezes a dianteira às senhoras. As posições seguintes são ocupadas alternadamente pelos seniores do serviço e pelas senhoras (enfermeiras chefes e visitantes, as médicas locais ficam para trás). Na 5ª porta eu costumo me adiantar para abrir e dar passagem ao séquito. Um pequeno jogo diário, que ilustra a hierarquia local.
De manhã, no bloco um bom presente de despedida, fundoplicatura laparoscópica numa criatura com 6 kg. Não é cirurgia neonatal, mas próxima o suficiente. Depois passei o resto do dia na consulta externa, chegando à conclusão que you can run but you can't hide: a pila mal lavada persegue o cirurgião pediátrico até ao fim do mundo. Todos temos o mesmo discurso formatado, repetido até à exaustão. Revi-me perfeitamente neste papel, noutra língua. No entanto, outros pormenores diferem. Como a caneca com o Papa Francisco na sala de tratamento, ou o crucifixo sobre a porta do gabinete da consulta. Apesar da presença católica ser evidente, não é intrusiva.
Fim da tarde, depois de um tempinho a brincar no simulador, arrumei a minha tralha e entreguei as chaves do gabinete. Tudo bem, já está na hora de ir embora.
Cansada e com fome, saí do hospital a correr, para conseguir ainda ir ao supermercado grande. Onde existem 9 variedades de tomate, das quais só provei 3, mas que são deliciosas. E surpreendentemente pouca variedade de pão. Mas compenso com os gressinos. Juntando mais uma mortadela, um queijo de cabra envelhecido e umas bolachas de nocciola estou pronta para uma noite a ver maus filmes e preguiçar até amanhã.
De manhã, no bloco um bom presente de despedida, fundoplicatura laparoscópica numa criatura com 6 kg. Não é cirurgia neonatal, mas próxima o suficiente. Depois passei o resto do dia na consulta externa, chegando à conclusão que you can run but you can't hide: a pila mal lavada persegue o cirurgião pediátrico até ao fim do mundo. Todos temos o mesmo discurso formatado, repetido até à exaustão. Revi-me perfeitamente neste papel, noutra língua. No entanto, outros pormenores diferem. Como a caneca com o Papa Francisco na sala de tratamento, ou o crucifixo sobre a porta do gabinete da consulta. Apesar da presença católica ser evidente, não é intrusiva.
Fim da tarde, depois de um tempinho a brincar no simulador, arrumei a minha tralha e entreguei as chaves do gabinete. Tudo bem, já está na hora de ir embora.
Cansada e com fome, saí do hospital a correr, para conseguir ainda ir ao supermercado grande. Onde existem 9 variedades de tomate, das quais só provei 3, mas que são deliciosas. E surpreendentemente pouca variedade de pão. Mas compenso com os gressinos. Juntando mais uma mortadela, um queijo de cabra envelhecido e umas bolachas de nocciola estou pronta para uma noite a ver maus filmes e preguiçar até amanhã.
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