quinta-feira, 1 de junho de 2017

L'ultimo giorno di lavoro

 Último dia de "estágio". Ao fim de quase um mês já sou expert no jogo da cedência de passagem. Durante "il giro" passamos por 11 portas, e há uma mudança constante de lugar na fila. Primeiro o Prof Chefe, que ao longo do trajecto cede 2 vezes a dianteira às senhoras. As posições seguintes são ocupadas alternadamente pelos seniores do serviço e pelas senhoras (enfermeiras chefes e visitantes, as médicas locais ficam para trás). Na 5ª porta eu costumo me adiantar para abrir e dar passagem ao séquito. Um pequeno jogo diário, que ilustra a hierarquia local.
 De manhã, no bloco um bom presente de despedida, fundoplicatura laparoscópica numa criatura com 6 kg. Não é cirurgia neonatal, mas próxima o suficiente. Depois passei o resto do dia na consulta externa, chegando à conclusão que you can run but you can't hide: a pila mal lavada persegue o cirurgião pediátrico até ao fim do mundo. Todos temos o mesmo discurso formatado, repetido até à exaustão. Revi-me perfeitamente neste papel, noutra língua. No entanto, outros pormenores diferem. Como a caneca com o Papa Francisco na sala de tratamento, ou o crucifixo sobre a porta do gabinete da consulta. Apesar da presença católica ser evidente, não é intrusiva. 
 Fim da tarde, depois de um tempinho a brincar no simulador, arrumei a minha tralha e entreguei as chaves do gabinete. Tudo bem, já está na hora de ir embora.
 Cansada e com fome, saí do hospital a correr, para conseguir ainda ir ao supermercado grande. Onde existem 9 variedades de tomate, das quais só provei 3, mas que são deliciosas. E surpreendentemente pouca variedade de pão. Mas compenso com os gressinos. Juntando mais uma mortadela, um queijo de cabra envelhecido e umas bolachas de nocciola estou pronta para uma noite a ver maus filmes e preguiçar até amanhã.

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