Último dia de "estágio". Ao fim de quase um mês já sou expert no jogo da cedência de passagem. Durante "il giro" passamos por 11 portas, e há uma mudança constante de lugar na fila. Primeiro o Prof Chefe, que ao longo do trajecto cede 2 vezes a dianteira às senhoras. As posições seguintes são ocupadas alternadamente pelos seniores do serviço e pelas senhoras (enfermeiras chefes e visitantes, as médicas locais ficam para trás). Na 5ª porta eu costumo me adiantar para abrir e dar passagem ao séquito. Um pequeno jogo diário, que ilustra a hierarquia local.
De manhã, no bloco um bom presente de despedida, fundoplicatura laparoscópica numa criatura com 6 kg. Não é cirurgia neonatal, mas próxima o suficiente. Depois passei o resto do dia na consulta externa, chegando à conclusão que you can run but you can't hide: a pila mal lavada persegue o cirurgião pediátrico até ao fim do mundo. Todos temos o mesmo discurso formatado, repetido até à exaustão. Revi-me perfeitamente neste papel, noutra língua. No entanto, outros pormenores diferem. Como a caneca com o Papa Francisco na sala de tratamento, ou o crucifixo sobre a porta do gabinete da consulta. Apesar da presença católica ser evidente, não é intrusiva.
Fim da tarde, depois de um tempinho a brincar no simulador, arrumei a minha tralha e entreguei as chaves do gabinete. Tudo bem, já está na hora de ir embora.
Cansada e com fome, saí do hospital a correr, para conseguir ainda ir ao supermercado grande. Onde existem 9 variedades de tomate, das quais só provei 3, mas que são deliciosas. E surpreendentemente pouca variedade de pão. Mas compenso com os gressinos. Juntando mais uma mortadela, um queijo de cabra envelhecido e umas bolachas de nocciola estou pronta para uma noite a ver maus filmes e preguiçar até amanhã.
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