Em Ravenna fui recebida pela guia directamente na estação, e o passeio começou quase imediatamente. Ao contrário do passeio de ontem, em que fomos conhecendo a cidade, este seria muito mais to the point: visita aos quatro mosaicos mais famosos e toca a andar. Humpf. Fiquei imediatamente com a sensação de que esta tour não iria ser grande coisa. Da estação fomos para a Basilica di
Sant'Apollinare Nuovo. Logo na fila dos bilhetes apercebi-me que a guia não era muito paciente. Bufou o tempo todo que estivemos na fila, a maldizer os turistas dos cruzeiros (que aparentemente são responsáveis por uma porção significativa do turismo da cidade). Apercebi-me quão irritante é ter uma pessoa impaciente a bufar ao nosso lado, e fim uma promessa pessoal de tentar bufar menos (o que eu sei que faço quando estou impaciente...). Uma vez lá dentro, primeiro momento AHHHHHHH do dia. Os mosaicos são lindissímos, e com a luz a incidir sobre eles parecem quase mover-se. Muito bem conservados para quem foi feito no século V. E muito inovadores: primeira imagem da Virgem e dos Reis Magos registadas no mundo ocidental. Lindo. Daí fomos andando para o site nº 2, Battistero Neoniano. Durante o caminho não houve grande conversa. Lá perguntei o que eram alguns edifícios por onde iamos passando, mas a senhora não demonstrou grande interesse em falar muito sobre o que quer que fosse que datasse depois do século X...
Na entrada do Battistero, novo embate com os turistas dos cruzeiros. Ela bem tentou furar a fila e convencer os senhores da entrada a deixar-nos passar à frente, mas sem sucesso. Acabamos por entrar depois, e ainda bem, porque o espaço é pequeno e difícil de apreciar com 40 pessoas no interior. Segundo momento AHHHHHHH. A imagem do tecto, com Jesus imerso sob a água, é deslumbrante. E a a restante decoração é igualmente incrível. E a imagem do tecto irá ficar cada vez mais próxima, uma vez que o edifício está a enterrar-se no solo à velocidade de 1mm por ano (e já está 3m mais baixo do que quando foi desenhado, o que se pode ver pelas portas originais de entrada e que já só se consegue ver a extremidade superior ao nível dos pés).
Sem grandes conversas seguimos para o último local, onde estão os últimos 2 monumentos. O Mausoleo de Galla Plácida, 3º momento AHHHHHH, tem um dos céus estrelado mais bonitos que já vi. Seguimos então para o grande finale, a Basilica de San Vitale. Devo dizer que foi um passeio bem projectado - o 4º momento AHHHHHHH foi o melhor deles todos. A beleza dos mosaicos é tanta que se sente fisicamente o peso no peito. O interior do edifício está mais ou menos conservado,com frescos apenas parciais no tecto, e metade das paredes sem o revestimento de mármore original (que foi roubado por Napoleão). Mas a nave onde estão os mosaicos é de tirar o fôlego. Inicialmente me senti deprimida pensando que em tempos toda a basilica foi decorada dessa forma, e que apenas aquele pedaço chegou até aos dias de hoje, mas passou quando aprendi que na realidade os mosaicos originais eram só aqueles. Os senhores tinham dinheiro mas não vamos exagerar.
E pronto, final da visita. Senti claramente que a de Ferrara tinha valido muito mais a pena. Quase poderia ter feito a mesma visita comprando o guia ilustrado. Mas esta senhora tinha a vantagem de ter um ponteiro laser para me mostrar os pormenores das figuras. E se redimiu com a sua sugestão para o almoço, que foi uma verdadeira viagem no tempo. O Al Gallo foi inaugurado em 1909, e
mantém a mesma decoração, não só nas paredes como em duas salas de espera e no jardim. Parece parado no tempo. Para além de que o cappelletti al tartufo estava monumental.
Novamente movida a hidratos de carbono fui dar uma voltinha à cidade depois do almoço. Embora bonita, não é assim tão interessante. E vira uma cidade fantasma durante a hora do almoço, com as igrejas e os museus fechados. Ainda assim consegui visitar o túmulo do Dante Aligheri (cujos ossos os frades franciscanos esconderam durante alguns séculos para não ter que devolver a Florença ) e comprar um chapéu (que já começa a ser tradição, ser apanhada por bom tempo e começar a fritar ao sol). Mas acabei por preferir passar o tempo até ao comboio de volta descansando os pezinho e people watching com a bela companhia de um capuccino.




Sem comentários:
Enviar um comentário