quarta-feira, 10 de maio de 2017

Un biglietto per Napoli, per favore

 Dia de prova de fogo de italiano. Embora o primeiro prelector tenha sido um fofinho e feito a apresentação em inglês, o segundo nem se apercebeu que havia uma não-italiana na audiência e a terceira não quis saber. Consegui seguir a 2ª apresentação sem grandes dificuldades, com uma ou outra pergunta ao colega do lado sobre vocabulário. O senhor deve ter pensado que eu estava fascinada pelo tema (Anestesia Pediátrica), tal era a minha atenção nas suas palavras. O facto de se parecer com o George Clooney e ter uma voz que parecia veludo também podem ter ajudado a prender a minha atenção... Na apresentação seguinte já tive mais dificuldade em acompanhar (também sinto menos empatia pela Professorezza prelectora), pelo que pedi educadamente à senhora para fazer a apresentação seguinte, também da sua responsabilidade, em inglês. Respondeu torto, que não estava preparada para tal, mas que ia tentar. Humpf. Vou aproveitar o meu tempo por aqui para fazer entender ao Professor Chefe que nem todos os futuros alunos podem ter a minha vontade, disponibilidade e (vá, vou puxar a brasa à minha sardinha) facilidade em aprender italiano...

No final do dia, um teste surpresa de escolha múltipla. Que foi hilariante. Para começar, o teste estava em italiano (again, sou eu a única pessoa que achou que isto era um master internacional?), pelo que me disseram para fazer o teste a meias com outro colega que fala bem inglês. No entanto, depois chegou-se à conclusão que algumas perguntas eram dúbias e acabamos por fazer o teste todos em conjunto (flashback para o exame de genética do 2º ano da faculdade). Para colmatar, algumas das pessoas que fizeram as perguntas também não levaram o tal teste muito a sério e para além de uma alínea certa e 2 claramente erradas acrescentaram uma alínea cómica de bónus. Bem, ao menos serve de preparação para o teste final (que eu descobri hoje que existia) e cujas perguntas andam mais ou menos pelo mesmo nível... No final, como prémio de consolação recebi o meu cartão de estudante da UniBo. Desta vez acertaram no nome...

 Como na segunda a sessão acabou relativamente cedo. Com o tempo mais apelativo e o humor mais equilibrado aproveitei para passear pela cidade e run some errands. Tendo em conta o meu tempo limitado por terras italianas, já planeiei mais ou menos os próximos fim de semana (ou não fosse eu uma personalidade tipo A com control issues). Nápoles (Pompéia, para ser mais exacta), Modena, Ferrara, Turim, Parma e um tour de carro pelos Apeninos quando a cara metade vier visitar. Portanto lá fui para a estação, com a idéia de comprar o bilhete (carissímo) para Nápoles este fds ou o próximo, de acordo com a disponibilidade dos cheap seats. Arranhando o meu melhor italiano consegui negociar com o senhor simpático da Trenitalia, que ainda tentou falar em inglês mas depois resolveu alinhar no meu plano de independência linguística. Por meros 109 euros ( e outros 7 euros do bilhete do comboio regional) poderei finalmente riscar Pompéia da minha bucket list no próximo fim de semana.
 Aproveitando o meu recém-adquirido cartão de estudante e o horário alargado segui para o MAMbo. Depois de largar o dinheiro do bilhete foi agradável descobrir que estudante não paga. O museu é bonito, e tem algumas peças interessantes, mas a minha sensibilidade para arte moderna precisa ser trabalhada. Principalmente quando uma das peças principais da galeria de novas aquisições é constituída por uma vila em papel daquelas que se compra pré-cortada para crianças e bonecas de papel impressas...

 Com o cérebro pesado de cultura voltei para casa. A meio do caminho não resisti e cedi finalmente à tentação: para acompanhar a saladinha do jantar (5 dias e já com overdose de hidratos de carbono) um stracchino con latte di buffala. E viva a lactase em comprimidos.

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