terça-feira, 23 de maio de 2017

La cucitrice

 Dia totalmente laparsocópico, nada extremamente diferenciado mas interessante. Aqui a abordagem laparoscópica é tão comum como a aberta, ninguém se chateia, o material é montado com a mesma celeridade e à vontade que a mesa dos instrumentos. Mas só os mais velhos (e com isso me refiro à geração dos cinquenta para cima) é que tem verdadeiro à vontade. Os mais novos não tem o mesmo desempenho. Também, como é possível, se não operam? Mas trabalham muito. Eu chego às 07: e saio depois das 19 e os internos e especialistas recentes já lá estão quando eu chego e ainda lá ficam quando eu saio. E estão de banco a cada 4 dias. Ontem uma das internas mais novas me dizia que eles aprendem a operar observando os mais velhos. Lógico, e totalmente válido e indispensável. E o gesto, a "memória muscular"? Há coisas que só se aprende fazendo. A casa mãe tem os seus defeitos, mas apesar de tudo ainda vai dando oportunidades à malta jovem.
 Depois do final do programa cirúrgico (e de uma biópsia renal por retroperitoneoscopia de urgência) fui brincar para o meu playground. E não gostei quando cheguei à sala dos simuladores e estava lá outra pessoa, no "meu" simulador - aquele que já está ajustado à minha altura e tinha preparado o meu modelo para suturas contínuas. Um interno intruso de Urologia. Rapaz simpático, acabamos por conversar um pouco, e confirmar a minha suspeita que nenhum interna opera muito por estes lados, independente da especialidade. Disse uma coisa interessante: que faziam muita endourologia, alguma laparoscopia, até robótica, mas nas cirurgias "open" os internos eram sempre 2º ou 3º ajudante. Ou seja, já brincou com o DaVinci, mas nunca fez uma lombotomia. Não posso deixar de pensar que isto é uma inversão dos princípios,,,
 A minha tentativa de modelo para pieloplastia baseada num artigo
em que utilizavam uma luva falhou miseravelmente. Tentar suturas uma luva azul com fio Ethibond 5-0 azul com câmara fixa não é fácil. Amanhã tento novamente, desta vez com a luva de cozinha. Acabei por experimentar outros materiais, mas nenhum funcionou muito bem. Mesmo assim acabei por passar hora e meia a brincar às suturas. Um dos objectivos desta temporada é aprender a segurar os instrumentos com mais suavidade. Hoje para não variar ainda tenho parestesias no 3º dedo da mão esquerda... 
 Uma boa novidade: encontrei queijo sem lactose! O que é um
espetáculo, tendo em conta que estou a racionar os comprimidos de lactase. A parte má é que como todo o queijo sem lactose não é propriamente muito saboroso... Acho que prefiro continuar a viver perigosamente...

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