quarta-feira, 17 de maio de 2017

I carciofi

 Dia pouco interessante no bloco, portanto fui procurar outras coisas com que me entreter. Como me colar como uma lapa ao interno simpático que gosta de falar inglês, e fazer todas as perguntas indiscretas que me ocorreram. Andamos a ver doentes na enfermaria (fiz consultadoria de Uro Ped para o ajudar com um doente com megaureter obstrutivo - aqui não "acreditam" na dilatação com balão). Depois fomos buscar um doente à ressonância, que por ser noutro edifício no mesmo complexo hospitalar gigante de 26 pavilhões dá direito a ida e volta de ambulância. Pela segunda vez aqui me chamaram a atenção quando fui apertar o cinto de segurança, de que nos lugares traseiros não é obrigatório. Mas graças ao meu progenitor visionário isso é algo que eu faço de modo automático e que despoleta a minha POC com direito a crise ansiogénica se não o fizer. Portanto, sob o olhar confuso dos tripulantes da ambulância devo ter estreado o cinto de segurança do lugar traseiro... Depois aproveite mais um tempinho para o estudo, no meu gabinete lindo maravilhoso confortável tranquilo, até aparecer uma apendicite complicada que interrompeu o programa. E que fez com que chumbassem o hipospadias que estava muito curiosa em ver. Para provar que nem todos os apêndices saem pelo umbigo tiveram que por mais duas portas para sacar o bicho... 
 Depois do "giro" da tarde (que é como quem diz visita), resolvi que não conseguia encontrar desculpas para ficar no hospital num dia tão bonito e resolvi vir embora mais cedo. Para correr. Porque eu gosto de sofrer. E de gelado.
 Resolvi como no outro dia sair mais ou menos sem rumo, atravessando a rua ou virando a esquina de acordo com os semáforos. Como era cedo, 17h, não estava muito preocupada com anoitecer ou ruas vazias. E fui correndo, com o objectivo de aos 3km voltar para trás. O que eu não contava era com o calor e com o pólen, e aos 3 km estava cansada, desconfortável e a espirrar.
Portanto resolvi voltar calmamente caminhando para casa, assim poderia apreciar a paisagem (e não desfalecer). Confiando no meu sentido de orientação fui virando aqui e ali, com a certeza que na pior das hipóteses acabava no complexo hospitalar e daí saberia ir para casa. Fui andando, andando, andando. A apreciar as casas, apercebendo-me que afinal o meu bairro era melhor do que eu pensava, uma onda tipo Restelo. Depois passei por uma rua com duas mercearias com muito bom aspecto, e ponderei ir lá depois comprar qualquer coisa para jantar. E continuei a andar, passando por um convento de Carmelitas Descalças, várias gelatarias com
bom aspecto, outra charcutaria... E nada de chegar a casa ou a algum sítio que conhecia. Desisti de me tentar orientar num bairro altamente residencial e liguei o Google Maps. Estava a 2,5 km de casa na direcção errada. Revendo o percurso no Runtastic eu estive mesmo à porta de casa e depois virei na direcção errada. E foi assim que a minha corridinha rápida virou um passeio de 7 km...

 Em casa, mais um momento completamente italiano. Um amigo do meu companheiro de casa vai passar alguns dias connosco, e aqui ninguém aparece para visitar sem trazer comida.Pelo que o meu lanche foi constituído por carciofi della nonna, alcachofras em conserva de vinagrete preparadas pela sua tia de 83 anos, com um queijo delicioso e pão. Espero que ele ainda volte no meu tempo cá, porque ao que parece a sua cidadezinha é a terra natal da mozzarella di bufala, e ficou no ar a promessa de um belissímo exemplar.

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