sábado, 20 de maio de 2017

Un caffè e una sfogliatella

 Viajante que se preze levanta-se cedo. Às quatro e meia da manhã estava de pé, mochila pronta e lancheira pronta (viajante budget leva sempre comida para pelo menos um lanchinho). Tudo de acordo com o plano, para apanhar o autocarro das 05:10  para a estação e o comboio das 06:05 para Nápoles. Porque entre a POC e a personificar tipo A nada é deixado ao acaso. Nada como overplan para ser depois lembrada da máxima “ se queres fazer o universo rir-se conta-lhe os teus planos”. Yup. Não contei com o facto de sábado dia 20 de Maio ser a festa da freguesia, com a rua principal fechada e o trânsito desviado. A minha manhã tranquila afinal começou comigo a correr até às urgências do hospital porque segundo o meu raciocínio à porta de um SU há sempre táxis. Bem não aqui, às cinco e quinze da manhã. Acabei por entrar num hotel à frente do hospital e pedir para me chamarem um táxi. O senhor não estava muito esperançoso de que algum aparecesse a estas horas. Muito arrependida de não ter instalado a aplicação Uber-like bolonhesa (sim, Waas, you were right), fiquei 15 minutos à porta , esperando o táxi que supostamente estava a 4 minutos de distância. Tudo bem, ainda dentro da hora. Cheguei à estação com 15 minutos de antecedência, e ainda bem. Eu pensava que já conhecia a estação de Bolonha. Afinal não. É gigante, um aeroporto em forma de estação, com 4 zonas de partida diferentes. Fiz o caminho em passo de corrida e consegui chegar mesmo em cima da hora. Nota mental: não substimar estações de comboio.
Os 109 euros do bilhete são justificados. O Frecciarossa é realmente confortável, o suficiente para dormir quase de seguida as 4 horas até Nápoles.
Uma vez aí, seguindo a recomendação de um dos italianos, saí da estação e fui directa ao café México beber um café e comer uma sfogliatella. O café é fabuloso, feito numa espécie de prensa, curtinho mas bom. De seguida voltei para a estação, a caminho de Pompéia. O pouco que conheci da cidade pareceu-me suja, malcuidada e não muito amigável. Nunca tive muito boa impressão de Nápoles, mas uma conversa recente com um apaixonado da cidade me fez ter vontade de lhe dar uma segunda opção. Do que vi até agora não sei se vou conseguir…
De volta à estação, para o enxame de turistas que é a linha Circumvesuviana, que vai até Pompéia. Por momentos ainda sonhei ver a paisagem da janela do comboio, mas a experiência é mais semelhante ao suburbano para Sintra às 18 horas do que uma das grandes viagens de comboio. E o pouco que eu consegui ver da janela estava sujo e graffitado.
Finalmente em Pompéia. Primeira paragem hotel, para tirar peso da mala. Tendo em conta que iria passar o fds on the go com a mochila às costas reduzi a bagagem para o mínimo essencial. Pareço uma daquelas nórdicas que dá a volta ao mundo com uma mochila menor do que a que levo para os bancos. Nécessaire minimalista (consigo sobreviver 2 dias usando protector dar como creme), muda de roupa interior e de tshirt e pronto. Afinal o tempo que perdi lendo como declutter my life serve para alguma coisa.
Às duas finalmente entro nas ruínas, numa visita guiada das baratinhas (por muito que seja agradável, o guia particular pesa demasiado no orçamento). Embora tivesse perspectivas elevadas, a visita foi ainda melhor. Realmente o nível de preservação das ruínas é incrível. Os frescos, os mosaicos, os estuques. E tudo ajudou para que a visita fosse agradável. Não estava demasiado calor e não havia demasiados turistas, penso que ambos graças a umas nuvens cinzentas marotas que ainda deram direito a umas gotinhas de chuva.
O universo claramente é um menino maroto: de tantos
frescos, alguns dos mais bem conservados são realmente frescos. Ao que parece as ilustrações da casa das meninas (ou melhor, lobas, o lupanare) eram uma espécie de menu, desenhado com o intuito de evitar confusões linguísticas com os marinheiros estrangeiros. Não podendo contar com o Google Translate, essa parece ser uma boa solução.  
A visita guiada foi interessante mas engloba pouco das ruínas, portanto no final resolvi explorar sozinha. O que não é muito fácil. O mapa fornecido à entrada (a pedido, num guichet diferente, é preciso ir atrás senão não dão) não é fácil de navegar e não parece estar actualizado. No mapa as ruas tem nome, na realidade indicações em numerais romanos indecifráveis. Muitos dos locais que referiam no
mapa como “a não perder” estavam fechados. Quase parece que estão a fazer de propósito, numa tentativa de diminuir o número de turistas… Mesmo assim consegui perder-me durante 3 horas, e ver coisas incríveis. Na visita guiada entramos apenas numa das casas “ricas”, mas que não era claramente uma das mais bonitas. Dos banhos só tínhamos visto o lado dos homens, onde se percebe como funcionava a transmissão do calor, mas no lado das mulheres percebe-se qual era o seu real aspecto, as piscinas de pedra branca, as fontes. Nota mental: da próxima vez perder o amor ao dinheiro e ou fazer a visita cara ou comprar o guia ilustrado…
Ao fim de cinco horas nas ruínas os meus pés ganharam vida propria e decidiram que já chegava, apesar do meu cérebro descordar. Cansada, faminta e com pouco discernimento entrei no primeiro restaurante que vi à saída das ruínas, onde comi a pior pizza da minha vida. Desgostosa com a Pompéia moderna, voltei ao hotel para descansar e dormir cedo, porque amanhã​ a aventura

continua.

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