Pela primeira vez em pelo menos 10 anos usei o mesmo gel de banho/shampoo para tomar banho, lavar a cara e o cabelo. Vida minimalista é assim, e o cabelo curto ajuda. Inicialmente estava muito feliz com o resultado, a pensar que a indústria dos produtos capilares na realidade era uma farsa desnecessária inventada por publicitários. Até que me vi ao espelho, e compreendi porque que é na realidade uma indústria bilionária: porque é necessária. Ainda bem que vou passar o dia de chapéu.
Resolvi que ao invés de passear por Nápoles, plano inicial, iria aproveitar a manhã para ir a Sorrento e à tarde às ruínas de Ercolano. Na minha cabeça imaginei que a viagem no Circumvesuviana seria calma e contemplativa, a ver a bacia do mediterrâneo e a ter pensamentos elevados, porque seguramente às 09h da manhã de domingo só haveria turistas até Pompéia, e eu iria seguir caminho. Erro crasso. Ao que parece a juventude digamos menos polida de Nápoles pelos vistos gosta de apanhar o comboio para ir à praia no fim de semana. Portanto o comboio estava repleto de adolescentes barulhentos com maus cabelos e pouco estilo. Pelo que percebi o must have look para rapazes é rapado de ambos os lados com um crista de jogador de futebol no meio e para as meninas é rapado na nuca e o resto com tranças. Jovens que ainda não devem atingiram o estádio V de Tanner com tatuagens. Então é assim que se sente uma velha do Restelo no meio da juventude… Para meu gáudio sairam 4 paragens antes de Sorrento, porque senão teriam arruinado de vez a minha imagem classy da cidade.
Sorrento exsuda um charme anos 30, pelo aspecto dos edifícios e os hotéis com nomes com Excelcior Vittoria e Grand Hotel Royal. E porque deve ter sido nessa década que nasceram a maioria dos visitantes. A cidade é pequena, e rapidamente se atravessa a pé. O que me surpreendeu foi que para uma cidade balnear vê-se muito pouca praia. Primeiro porque a cidade está numa escarpa, e a praia está
láááááá em baixo. Quer dizer, aquilo que passa por praia por aqui: meio metro de areia e depois umas passadeiras flutuantes com espreguicadeiras. Segundo, porque basicamente todo o terreno à beira mar está ocupado por casas apalaçadas e hotéis. Só há um ou outro miradouro para ver o mar. Mas a vista vale a pena, as escarpas com as casas encavalitadas no meio do verde da vegetação, toda a baía mediterrânea até Nápoles, o Vesúvio em todo o seu esplendor. Percebo o fascínio.
láááááá em baixo. Quer dizer, aquilo que passa por praia por aqui: meio metro de areia e depois umas passadeiras flutuantes com espreguicadeiras. Segundo, porque basicamente todo o terreno à beira mar está ocupado por casas apalaçadas e hotéis. Só há um ou outro miradouro para ver o mar. Mas a vista vale a pena, as escarpas com as casas encavalitadas no meio do verde da vegetação, toda a baía mediterrânea até Nápoles, o Vesúvio em todo o seu esplendor. Percebo o fascínio.
Depois de ver a vista bonita, fui ver o resto da cidade. A zona velha, que são duas ruas cheias de lojas de bugigangas turísticas, onde o cheiro do limoncello é omnipresente e enjoativo. A zona nova, que também não são muito mais ruas. E pronto. Tive tempo de ver as exposições da Vila Fiorentina: fotografias da Sophia Loren (dela, não tiradas por ela) e esculturas de um senhor chamado Mário Pugliese, que entre outras coisas faz uns insectos gigantes de metal e cerâmica com pequenos detalhes incrustados que eu compraria se tivesse dinheiro.
Encontrei sem querer a Basilica de Santo Antonino, onde deixam como agradecimento ao santo efigies em prata (parece-me) daquilo que ele curou: pernas, intestinos, tórax, corpo inteiro… Uma versão em metal das oferendas em cera ao velho Sousa Martins. Descobri o meu próximo carro, um Fiat dos antigos no meu azul preferido. Pelo meio paragem para comer/beber um caffè crema, uma espécie de café gelado cremoso. Ainda ponderei beber café no bar do Hotel Excelcior Vittoria, porque imaginei que a vista era fabulosa, mas com o cabelo assim tão manhoso não me senti à altura. Almocei no restaurante sugerido pela minha professora de italiano, que a dada altura foi guia turística nesta zona. Sem vista, mas muito agradável, e com um aspecto tão cuidado que me arrependi de ter entrado pela porta dos fundos sem ver o menu e os preços primeiro. Quando chegou a carta suspirei de alívio, ao menos as pizzas eram a um preço acessível. E maravilhosas. Para compensar o mau dia gastronómico anterior. De sobre um mignon baba, supostamente especialidade da zona.
Encontrei sem querer a Basilica de Santo Antonino, onde deixam como agradecimento ao santo efigies em prata (parece-me) daquilo que ele curou: pernas, intestinos, tórax, corpo inteiro… Uma versão em metal das oferendas em cera ao velho Sousa Martins. Descobri o meu próximo carro, um Fiat dos antigos no meu azul preferido. Pelo meio paragem para comer/beber um caffè crema, uma espécie de café gelado cremoso. Ainda ponderei beber café no bar do Hotel Excelcior Vittoria, porque imaginei que a vista era fabulosa, mas com o cabelo assim tão manhoso não me senti à altura. Almocei no restaurante sugerido pela minha professora de italiano, que a dada altura foi guia turística nesta zona. Sem vista, mas muito agradável, e com um aspecto tão cuidado que me arrependi de ter entrado pela porta dos fundos sem ver o menu e os preços primeiro. Quando chegou a carta suspirei de alívio, ao menos as pizzas eram a um preço acessível. E maravilhosas. Para compensar o mau dia gastronómico anterior. De sobre um mignon baba, supostamente especialidade da zona.
Ainda sonolenta do almoço menos que ligeiro voltei à estação, para apanhar o Circumvesuviana em direcção a Ercolano Scavi. Pela primeira vez consegui ir sentada. A paisagem inicialmente é muito bonita, mar de um lado, montanhas verdes no outro, mas rapidamente passa a construções degradadas e estações recobertas de graffiti. Os arredores de Nápoles não são bonitos, e os habitantes também não me deixaram grande impressão. Vi deitarem lixo para o chão, pela janela do comboio, sem nenhum cuidado. A imagem do italiano glamouroso claramente não se encaixa aqui. E também não são simpáticos, mesmo quando educados falam e agem de modo agressivo. Tirando Sorrento nem mesmo em Pompéia, local turístico por excelência, me senti bem. Não me imagino a voltar para estes lados.
Bem, o Ercolaneo. É o vizinho mais pequeno e desconhecido de Pompéia. Tal com esta foi soterrado pela erupção de 79 ad, mas enquanto em Pompéia foram as cinzas em Ercolaneo foi mesmo lava. Que conservou a cidade de forma diferente. Assim que cheguei às ruínas fiquei surpreendida com o facto de estarem mesmo no meio das casas. E da profundidade a que foram soterradas. Estão
basicamente numa cratera escavada a quase 20 metros de profundidade. Parece mesmo uma cidade fantasma desenterrada.
basicamente numa cratera escavada a quase 20 metros de profundidade. Parece mesmo uma cidade fantasma desenterrada.
Desta vez sem tempo para visitas guiadas resolvi alugar o audioguia. Assim que comecei a visita arrependi-me de não ter feito o mesmo em Pompéia para a 2@ parte da minha visita. A informação é clara e interessante, e a qualidade do áudio surpreendentemente boa. No entanto, como em Pompéia, metade dos locais sugeridos para visitar estavam fechados. Mesmo assim deu para ver coisas lindíssimas. Os frescos são bonitos, mas o que realmente me impressionou foram
os mosaicos. Neste momento já me sinto uma verdadeira especialista na arquitectura do período. Até posso dizer que o meu LeeMobile original não tinha um buraco no tecto mas sim um compluuium.
os mosaicos. Neste momento já me sinto uma verdadeira especialista na arquitectura do período. Até posso dizer que o meu LeeMobile original não tinha um buraco no tecto mas sim um compluuium.
Das ruínas de volta à Nápoles moderna. Mais uma viagem no Circumvesuviana, a última. Cheguei sem tempo para ver o que fosse da cidade, mas ainda conseguir comprar sfogliatellas para levar para o meu companheiro de casa. E dois novos livros em italiano para me fazerem companhia na viagem para cada, que o primeiro já acabou. Igualmente básicos, para poder entender a ideia geral mesmo sem perceber os pormenores. Ainda não é desta que leio Umberto Eco no original...






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